angela.1966
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Não te procurava
Não te procurava, mas encontrei-te!
Encontrei-te no labirinto da minha vida. Na espiral do tempo que o destino me concedeu. Caminhava perdida, pelas ruas escuras, onde deambulava, sem sair do mesmo lugar. Andava perdida no embrenhado de muralhas que eu mesma edificava em meu redor.
Nada procurava. Queria apenas fugir. Encontrar uma saída para esta vida sofrida. Enquanto fugia, tropeçava nos fantasmas do meu medo. Foi num desses instantes, em que fugia de dois desses fantasmas, dei de caras contigo.
Olhei-te, sem te ver. Nos teus olhos estava a porta de saída que eu procurava. Estava ali tudo o que eu sempre tinha procurado, mesmo sem saber. A porta para o futuro. A mão que agarrava a minha mão e me ensinava o caminho que devia seguir.
Olhei-te e li a mensagem do teu coração. Escreveste, em silêncio, uma promessa na minha alma. Dizias-me num sussurro suave ao ouvido que tinhas vindo para ficar. Essa promessa fez eco no meu coração. Despertou as minhas emoções. Fez rejuvenescer os meus sentimentos.
Naquele preciso momento renasci para a vida. Percebi que tudo aparece na hora certa. Que a vida não me tinha deixado esquecida. Tinha perdido tanta coisa, tinha soltado tanta lágrima. Gritado de tanto sofrimento e agora sem procurar tinha-te encontrado.
A vida de repente ganhou cor, ou melhor eu encontrei o amor.
Por isso, não me digas que é tarde. Eu olho para ti e vejo o amor a saltar-te pelos olhos. Não lamentes o que ainda não vivemos. Existem ainda momentos melhores para serem vividos. Temos um futuro que é nosso.
Não te agarres ao passado, porque ele já se foi. Fico lá naquele tempo do qual tu fugiste. Não procures desculpas para o que, eu sei, que queres sentir. Já escutei o teu coração a falar com a minha alma, e, ele não mente. Deixa que os sentimentos tracem a rota da tua vida. Deixa que o coração faça as suas escolhas.
O tempo são as etapas da vida que ainda temos para viver. O que ficou para trás é apenas memória.
Não me digas que é tarde. O futuro é já hoje. Ele pertence-nos.
segunda-feira, 18 de julho de 2016

Amei-te, sem saber. Perdi-te sem te conhecer.
Morreste-me nas mãos ainda antes de eu te ter guardado no coração.
Eras o meu marinheiro sem nau. Quando despertei para a realidade já não era mais de que um coração naufragado numa ilha deserta. Onde nem as tuas sereias chegavam.
As minhas mãos tinham o teu perfume. O meu sorriso o teu sabor. Estavam esquecidas na minha pele gotas do teu suor, que se julguei serem minhas.
Guardei-te na memória do presente. Enquanto estava entretida a sonhar sonhos sem futuro.
Eras uma memória tão fresca que continuava a vestir a minha pele com desejo que ainda não tinha partido. No entanto o corpo já se sentia despido com a tua ausência.
Eu tentava no tempo que já não tinha juntar os pedaços da nossa história. Tentava prolongar a memória de algo que não chegou a existir!
Deixaste-me tudo. O sorriso, o desejo e a vontade de ti. Eu ganhei apenas saudade de um amor. Uma roupa sem cor que me passou a vestir esta alma que estava ferida com a tua partida.
sexta-feira, 15 de julho de 2016

Quero voltar a ser nada. Quero voltar ao ventre da minha mãe. No tempo em que sendo nada era quase tudo. Voltar a nascer. Voltar a aprender. É esse o caminho certo para me fortalecer. Para ser mais eu,não deixando de ser quem sou.
Sair de mim, para voltar para mim. Ler-me. Procurar novos caminhos, onde não existam céus. Ver estrelas no meio do mar. Aquele mar onde só navego. As estrelas que brilham só para mim.
Esvaziar a alma do lixo que a tristeza arrastou para mim. Esvaziar este depósito de sofrimentos. Sacudir o pó a todas as dores que me perseguem. Fugir da ira de quem não me compreende.
Tenho que aprender a caminhar no sentido inverso da dor. Derrotar o sofrimento, com a negação desta fome que provoca o cansaço nos sentimentos.
Voltar a ser eu em todos os momentos. Não me censurar a cada hora que passa. Não me julgar pelos minutos que perdi. Não fazer da vida um sofrimento. Esvaziar de tristezas e encher-me de sonhos.
Quero reviver. É isso, quero voltar à vida com um rosto lavado e com alma renovada.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
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Toco tantas vezes no passado.
Viajo até ao tempo que já passou. Recordo o que lá ficou e me fez feliz.
Sim porque recordar é perfumar-me com a felicidade que um dia toquei. São os sonhos que já foram realidade e mesmo assim não deixaram de ser sonhos, por mais que tenham ficado num tempo a que eu não posso voltar.
Esse tempo acompanha-me na viagem para o futuro em que eu desenho cores do dia de hoje.
O tempo é tudo o que eu não tenho e o que me falta para me poder sentir feliz.
É pensar que a vida é um livro sem fim e que todas as páginas que já estão preenchidas são a imagem do que vejo reflectido no espelho.
O passado ficou lá atrás. As marcas seguiram viagem comigo e serão a minha companhia para o futuro.
sábado, 4 de abril de 2015
UMA PÁGINA DESTE LIVRO
Um dia, serás uma página do meu livro, um capitulo da minha vida, mais uma entre tantas e tantas histórias que irei contar, algumas serão segredos que durante anos guardei, outras não passarão de histórias que gostaria de ter vivido, mas para as quais não tive tempo.
Serás um pensamento escrito, imaginado e vivido, o amor que com alguém vivi, mesmo sabendo que jamais me seria permitido, a paixão que contrariou tudo e todos, muito censurada, mas também muito desejada por nós dois.
Serás a página e o titulo desse capitulo que terá o teu nome e apelido, para que ninguém duvide que um dia nos amamos, contrariando o mundo e até mesmo o nosso destino.
Será o personagem principal , aquele que alterou o meu interior, minha essência, que me fez perder a inocência, num dia de uma infância já distante, quando, sem perceber as lágrimas se secaram por completo, após a tua chegada descobri um coração que afinal palpita e a um ritmo acelerado, só por te ter encontrado.
O meu livro, será a minha vida contada com todas as palavras que fizeram as horas da minha existência, onde não quero omitir sentimentos, onde vou pintar de todas cores as minhas vivências, por saber que tudo aconteceu na hora certa, e partiu no momento exacto, tive quem tinha que ter e perdi quem tive que perder.
Não recusei a paixão, não nego que, por vezes, senti desejo, vivi ao ritmo do amor e fui censurada por isso. Mas errados estão todos aqueles que não vivem assim. O amor vive-se, a paixão deseja-se, o corpo pede e a alma não resiste. É esta a realidade do amor que todos nós sentimos, nem que seja uma vez na vida.
Deixarei uma só pagina em branco, aquela que completarei quando pressentir a chegada da morte, uma sombra que se esfumará em ondas intemporais levando o que ainda restar de mim, mas, a escrita, essa ficará, neste monte de ditos e desditos a que chamarei "livro da minha vida".
Despedirei-me deste corpo, mas continuarei a caminhada desta alma de poeta que sempre se deliciou com as paixões, que amou a vida e foi amada pelo amor. Nunca aceitei o divórcio com as palavras, que tantas vezes me eram impostas por um mundo repleto de tabus, que me queria impor regras que eu nunca aceitei.
A minha vida foi repleta de aventuras e desventuras e serão sempre elas que irão marcar a minha passagem rebelde por este tempo em que eu escolhi viver.
A herança que cá deixo, para que ninguém me esqueça é mesmo este livro, um poema que é mais do que um poema, será a conjugação de palavras que brilham por entre as frivolidades de uma sociedade a quem sempre virei as costas por não se adequar à minha imagem de viver. Um poema que será um hino ao amor, com todas as letras e palavras que o amor não dispensa, apesar de as almas mais púdicas se negarem a pronuncia-las.
Partirei sim, mas deixarei aqui a herança do amor para aqueles que cá ficarem e quiserem seguir as minhas ideias e sentimentos. Nada nem ninguém calará em mim a força do amor, foi ele que me alimentou em vida e será ele que me acompanhará na despedida.
Nada é melhor do que o amor....é a ele que dedicarei o livro da minha vida, a história da minha existência, o poema que dedico ao mundo !!!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
MENTI AO MEU CORAÇÃO ….
Comecei a amar-te no minuto em que te esqueci...só ai
descobri quem eras. Durante anos construí uma personagem que não
existia...criei amor por uma pessoa que me mentia. Fui cega em todos os
momentos, porque cego é quem não quer ver aquilo que está à frente dos seus
olhos... Cegos são aqueles que se negam a enxergar a realidade e eu confesso
nunca quis ver quem tu eras.
Foi preciso deixar-te partir para ter de volta a minha
visão, poder avaliar os teus defeitos, porque qualidades tu não tinhas
praticamente nenhumas.
Foi no dia em que deixe de sentir na minha pele o
calor da paixão que vi o quanto me iludiras desde o dia em que nos
cruzamos....naquele recanto da cidade fabulosa em que vivíamos...sou capaz de
jurar que nem desse momento tu te vais lembrar. Afinal na tua memória nunca
houve lugar disponível para colocares as minhas lembranças.
Dos momentos mais fugazes que vivemos, aquele instante
deve ser único que te ficou retido, todos os outros foram apagados pela
borracha dos teus sentimentos, que desconhecia o significado para palavra amor,
apenas reconhecia o sinónimo de envolvimento.
Hoje, passadas tantas semanas, amo a pessoa que nunca
foste....e procuro-te por entre as ruas desertas, nos rostos anónimos das
pessoas com quem me cruzou a toda a hora. Reconheço em cada uma dela traços
teus, porque todas têm algo em comum contigo.....
Eu sei que não devia olhar para trás, por alguma razão
existem coisas que ficaram no passado, coisas que não conseguiram chegar ao
presente. Mas como podia eu viver sem trazer comigo as lembranças que
ainda hoje transporto dos nossos momentos, dos bons instantes que vivemos
juntos. Nunca conseguirei esquecer os nossos sonhos de criança, quando na
inocência da nossa adolescência acreditei que ficaríamos juntos eternamente,
que fazíamos planos para um futuro que ainda desconhecíamos. Naqueles momentos em
que éramos felizes, ou melhor eu queria acreditar que éramos felizes. Eu não
queria acreditar que um dia nossos destinos seguiriam caminhos opostos. Não
podia acreditar, que apesar de nos amarmos, o nosso futuro não seria em
conjunto, não podia pensar que realizaríamos os nossos projectos em separado. Não
podia imaginar que chegaria o dia em que por coisas banais nos iríamos
separar. Que passados muitos anos sobre esse dia eu ainda me continuaria a
questionar-me sobre qual a razão dessa ruptura. Que mesmo depois de
adulta, com muitos de anos de existência, com algumas desilusões da vida
passadas sobre a minha alma, depois de muita aprendizagem, eu sempre
continuaria a não compreender o que se passara, lá atrás no passado, num dia
que eu nunca conseguiria temporizar, porque não sei em que dia te perdi.
Ainda hoje, mantenho essa dúvida, não sei dizer em que
dia saíste da minha vida, se é que algum dia saíste. Continuar a trazer-me nas
minhas memórias pode ser a mais estúpida de todas as decisões que tomei na
minha vida, mas a verdade, a verdade absoluta, é que não sei viver de outra
forma. Tentei durante todos estes anos procurar a borracha que servisse para
apagar da minha memória o amor que nos uniu, mas tenho a certeza absoluta de
que nunca a encontrei e duvido que algum dia a possa a vir encontrar, pois
mantenho sérias duvidas se algum dia a procurei verdadeiramente, afinal para
que vou apagar-te da minha imaginação se é lá que te quero conservar, para que
vou tirar-te do meu coração se é lá que tu vives. Nunca te esqueci
definitivamente, também não faço questão de o fazer um dia. És a paixão da
minha adolescência e serás certamente o amor da minha vida, mesmo que a vida
nos tenha separado um dia, porque para amar nem sempre é preciso estarmos juntos,
basta o nosso coração querer guardar essa pessoa.
No dia em que eu decidi esquecer-te, não houve senão
lágrimas, com a minha recusa te perdi, mas também nunca te ganhei, nem nos
momentos em que me entreguei. Tu sempre estiveste ausente, sempre me deixaste
carente dos teus carinhos. Vivias num mundo que eu desconhecia, ao qual eu não
pertencia...trancavas o teu coração, ali nenhum sentimento entrava.
Nos momentos, raros, em que te entregavas só sabias
viver os breves instantes em que me desejavas para de seguida fechares a porta
dos sentimentos. Nunca tinha conhecido ninguém tão frio, tão distante. Tu
ignoravas por completo a minha necessidade de atenção, tudo desconhecias o que
era amar. Amor para ti seria sempre
prazer, nunca ternura ... eu viveria toda a vida a acreditar nos sonhos
cor-de-rosa idealizando o carinho em todos os instantes.
Coisa de mulher, dirias tu todos os dias, não te
preocupando com as minhas necessidades... Por isso um dia, numa manhã fria de
Inverno, despertei , fria e sozinha e decidi que te ia esquecer... a decisão
não te fez mossa... só eu verti lágrimas, me destruí com sofrimento, porque tu
continuaste com a tua vida, agora bem mais fácil, sem a mulher chata que
implorava amor ......
Um dia talvez acordes e descubras que o amor
existe...que o amor é belo e a tudo resiste... ou talvez não. Pediste-me um
minuto....só um minuto para te explicares. Querias uns breves 60 segundos para
apresentares as tuas razões, para expores os teus argumentos. Precisavas de te
justificar, de me explicares as razões para não haver o final deste um amor...
Aquele amor que todos julgam perfeito. Mas a perfeição não existia...tu não
eras perfeito, eu também não. Vivíamos num mundo imperfeito entre seres
demasiado imperfeitos. Precisavas apressar-te, já passaram alguns segundos e
cada segundo que passa são instantes que não mais vais voltar a ter...momentos
que não mais viverás.
Acabei com a minha paixão, matei o meu desejo, apaguei
uma vontade que durante anos alimentou a minha vida... Agora quando terminarem
os poucos segundos que ainda restam, vou limpar os teus rastos, aqueles que
teimam em ficar na minha vida. Vou acabar com o meu jeito de menina linda, vou
virar furação....limpar as mãos, purificar o coração e tudo o mais que for
preciso, sabendo que tu nada mais fazes aqui na minha vida... No último segundo
ainda tentas, em vão, enlouquecer o meu coração, mas ele já está vacinado e não
vai vacilar nem por um momento. Apresentaste as tuas razões...então agora vai
... aproveita bem o caminho que escolheste .Serás feliz um dia ....quando
descobrires que eu já sou a felicidade.
Não esperes que o futuro mude a minha vida, porque já
alteraste o meu passado...nunca te deixarei modificar o meu presente. O meu futuro será a consequência do presente
que estou a decidir viver, mas sempre longe de ti...deixei-te no passado, num
passado para o qual fechei a porta....não quero que ele entre no meu presente e
por isso também vou fechar as janelas.
Não aguardes pelas minhas mudanças porque elas não
estão disponíveis para ti, no presente só encontro lugar para as minhas
necessidades...ensinaste-me a ser egoísta, logo eu que sempre gostei de dividir
tudo. Alteraste quem eu era e agora vais ter que saber conviver com essas
mudanças.
Cansei-me de ser a menina boba que um dia encontraste,
agora sou o furação que não tiveste tempo para conhecer...egoísta por natureza,
desconfiada por defeito, distante por necessidade...Não reclames só estás a
colher aquilo que semeaste.
E foi assim que tudo aconteceu, foi assim que te tirei da minha vida, pela primeira vez
vislumbrei a mentira em que sempre havia vivido. Olhei para ti e de imediato
tive certezas, vi a certeza nos teus e nos meus olhos, quando eles se cruzaram,
descobri nesse momento que nada mais nos unia, tudo nos separava, nada mais nos
juntaria.
Houve muita
coisa sentida nesse olhar, os teus olhos imploravam a minha atenção, tentavam acariciar
o meu coração, aquecer a minha alma. O teu sorriso falso, o teu olhar mentiroso,
os teus movimentos fingidos estavam ali à minha frente, mas já nada mais me
enganava. A tua sedução inata já de nada valia, tiveras o teu tempo para pensar
e agir, agora já era tarde.
E foi assim, depois dos teus últimos sessenta segundos
e de todos que tentaste ter, que os nossos corações em ficavam descompassados e
separados, cada um para seu lado, era mesmo verdade tudo estava terminado.
Tinha-me apaixonado por ti no primeiro segundo, tivera
sempre a certeza disso. Acreditava que o nosso amor estava escrito no livro das
nossas vidas. Tudo parecia perfeito, tudo ganhava cor nas nossas existências. Gostava
de te sentir sempre por perto, a tua presença acalmava a minha paixão,
iluminava o meu rosto, coloria o meu sorriso.
Fazias de mim uma miúda feliz, tinha descoberto o
amor, deixavas-me nas nuvens, sentia as borboletas na barriga quando tu
chegavas junto a mim, apetecia-me cometer loucuras, fazer tudo o que fosse
proibido. Correr pelas ruas da cidade de mãos dadas gritando ao mundo a nossa
paixão. Fazias-me feliz e isso era tudo o que eu queria.
Agora passados alguns
anos lembro tudo isto, percebendo o quanto fui burra, perguntando-me como não compreendi o que se
passava. Como podia sentir tanto a tua ausência, achar que não sabia viver sem
ti, continuar sempre a precisar de ti, quando tu não pensavas em mim.
Provavelmente daqui a
pouco vou começar a sentir saudades tuas, vou chegar a um ponto em que a
verdade vai aparecer com clareza. Vou perceber quem és o que sempre foste,
aquilo que eu nunca vi.
Agora, se te olhasse
nos olhos, seria capaz de ler o teu pensamento, saber o que estavas a pensar,
agora já não me conseguirias enganar, mas já tudo terminou o destino já nos
separou, ou melhor eu decidi tirar-te do meu destino.
Sabes eu odiava a rotina,
tinha medo da normalidade das coisas, de fazer tudo sempre na mesma sequência,
mas com a tua chegada foi isso mesmo que começou a acontecer todos os dias,
todas as semanas, todos os meses. A rotina invadiu a minha vida, tudo era
igual, tudo acontecia da mesma maneira. Os dias eram iguais, deixaram de
existir desafios. O único desafio que tinha e queria manter era o de agarrar o
nosso amor, de não deixa-lo fugir.
Confesso que me habituei a viver assim,
sem confusão, sem novidades, sem que o inesperado me fizesse alguma
surpresa.
Com a tua chegada desliguei-me do mundo,
passei a viver contigo e para ti, esqueci tudo o resto. Fingi para mim mesma,
dizendo que não havia mundo para além de ti.
Fiquei cega, deixei de ver a realidade,
porque te queria, porque te amava, porque te esperava em todos os segundos. Não
importava mais nada, só a tua lembrança me fortalecia e me ajudava a viver. Sabia-me
tão bem esperar a tua chegada, ansiar pelo teu colo, desejar aquele abraço
apertado e o beijo que me davas na chegada que me aquecia a alma e o corpo, que
me fazia delirar ainda mais por ti.
Não gostava de rotinas, mas a tua rotina
preenchia todas as minhas necessidades, era uma rotina consentida e muito
desejada. Passava os dias a pensar em ti, as tuas lembranças percorriam a minha
mente, ocupavam todos os cantos e recantos dos meus pensamentos, estavas no
mais profundo da minha memória. As pausas que haviam no meu pensamento eram
para pensar em ti, somente em ti. Era uma obsessão, hoje eu sei que era
isso, mas na altura não o conseguia perceber.
A minha imaginação pairava sempre sobre
ti e era a tua imagem, o nosso amor, o nosso futuro e tudo o que tivesse a
ver connosco que fazia a minha memória pensar.... Tu e sempre tu e somente
tu desde que acordava até que adormecia... e depois encontrava o sonho de onde
tu também não saias, estavas em todo o lado, pelo menos era assim que eu via a
minha vida, a nossa relação, o nosso amor.
Durante todos esses anos não precisei de
razões, não houve explicações, julgava que tudo sabia, pensava que tudo se explicava
com o amor que julgava que sentíamos. Tudo
parecia lógico, tudo tinha a lógica do amor, tudo era acertado,
tudo parecia certo, nem precisava pensar existia a racionalidade própria do
amor. Onde tudo é possível e exacto, nada se pergunta tudo se entende,
nada se questiona.
É amor e pronto. Não quero e não aceito
explicações. Quero somente aproveitar.
Lembraste daquele dia em
que me apeteceu adormecer no sossego dos teus braços. Aqueles braços quentes,
que ainda recordo, onde me sentia protegida, onde aquecia a minha alma e
despertava o meu corpo. Tinha adormecido zangada contigo mas agora apetecia
fazer as pazes. Era sempre bom quando nos zangávamos e a
seguir fazíamos as pazes. Acabamos enrolados um no outro, os teus
beijos quentes levavam-me ao céu, perdia-me no sabor da tua boca. Descobrias
com as tuas mãos cada centímetro do meu corpo, e ficavas com
elas perdidas em mim. Sentir a tua respiração ofegante em mim deixava-me num
desatino total. Como era bom adormecer contigo depois de uma briga.
Depois de mais um momento como este, momentos que se repetiam cada vez mais, o mundo avançava, as nossas vidas continuaram. Já não existia o som da briga, já tudo parecia funcionar bem, as batidas do meu coração voltaram a ser rápidas de cada vez que tu chegavas. Deixa de existir a incerteza, eras só tu diante de mim, ficávamos frente a frente e mais nada existia, mais nada importava, só tu e eu.
Olhavas para mim, com aquele olhar sedutor, aquele olhar que acabava comigo. Deixavas-me nas nuvens, sonhava ficar contigo eternamente. Acreditava na ilusão de que eras meu, e tu alimentavas-me esse sentimento, com todo o carinho que me davas após cada briga.
Eu louca, acreditava em tudo isso, vivia na calma dessa certeza, não tinha dúvidas da minha paixão. Apetecia-me beijar-te, abraçar-te, dar-te mimos. Amava-te e isso era tudo o que tinha naquela época. Tudo o resto me passava ao lado.
E nessas horas em que mais sinto a tua falta: a hora de acordar num dia sem
horas. Num dia em que a preguiça ganha e nos prende à cama por mais tempo. É,
nestes dias, entre o dormir e o despertar, assim como que no lusco-fusco do
sono, que a minha mente vagueia por nós. Que o lugar vazio aqui ao lado mostra
marcas do teu corpo. Que a tua ausência se faz sentir na minha mente. Que o teu
silêncio ecoa pela minha pele.
É nestes dias que o não ter, é recordado pelo querer. Que o sentir, não me deixa
dormir. Que o sonhar me faz acordar.
Ainda acordo alguns
dias com saudades, saudades do ontem, saudades tuas, cada vez mais longínquas,
mas saudades que ainda contêm o teu cheiro, o teu sabor a tua imagem. Por vezes
a tua falta ainda faz com que no meu peito o coração bata a um ritmo mais
acelerado, como se quisesse saltar dali para fora e ir procurar-te num lugar
qualquer. Ainda existem gritos guardados na minha garganta esperando por
liberdade para se soltarem e gritarem ao mundo a falta que não deverias
fazer-me mas que ainda reside em mim, gritos que eu quero transformar em
murmúrios lentos e suaves, cada vez mais suaves.
Julgava que iria ser
fácil, fácil tirar-te da minha vida, calar a minha dor, afagar a minha mágoa,
limpar as minhas lágrimas, mas todos os dias a tua falta se instala em mim,
precipita-se nos meus olhos, apresenta-se em pequenas gotas que teimam em cair
dos meus olhos, não me deixando sossegada.
A tua ausência, a certa
altura foi exigida por mim, no dia em te recusei, no dia em que te perdi e para
sempre te ganhei, era para se ter tornado em algo possível e necessário, mas na
verdade a tua presença encontra-se comigo em todos os segundos, está agora mais
presente do que antes.
Hoje por exemplo,
acordei novamente com saudades do teu cheiro, do teu sabor, maldito pesadelo
que teima em me perseguir. Queria eliminar este monstro da minha vida mas ele é
uma presença constante nos meus pensamentos.
Imploro à minha memória
para te esquecer, para apagar os teus traços da minha mente, mas ela não
obedece, não reconhece as minhas ordens.
Finalmente percebi, que é chegada a hora
de entender que a única coisa que ainda não fiz nesta vida foi fugir. Fugir de
tudo e todos, abandonar a vida, fugir dela, fugir de ti
principalmente. Deixar para trás tudo o que me faz mal, tudo o que não de
faz falta.
Agora quero aprender a viver sem ti, o
melhor dizendo preciso de aprender a sobreviver sem te ter comigo. Libertar-me
da necessidade de te ter na minha vida, limpar da minha alma a tua presença. Ser
forte, deixar de me trancar no quarto a chorar, chorar lágrimas por quem nunca
existiu, fugir do silêncio, abrir a porta, sair para respirar a alvorada de uma
Primavera a desabrochar e gritar para o mundo, que já não preciso de ti. Sentir
que o meu grito de revolta é mais forte do que a alma a lamentar a tua partida.
Aprender a sorrir, a viver e a caminhar sozinha pelo jardim, colhendo a mais
bela tulipa que lá existir, e saltitando muito feliz chegar até à praia e dizer
ao universo..... agora eu sou tão feliz, já te apaguei da minha vida.
Decidi que não mais vais envenenar a minha
alma, acabaram-se as mágoas, os ressentimentos, as desilusões e o sofrimento
que sempre deixas-te em mim. Não mereces as minhas lágrimas, não mais quero
sofrer por ti. Agora vou seguir em frente não vais mais atravessar-te no meu
caminho. Acabaram-se as desculpas tolas, a confiança não mais será traída por
ti, agora só quero a justiça da minha decisão.
Nada mais tem retorno, o rancor instalou-se no meu coração, eu deixe de confiar em ti.
Nada mais tem retorno, o rancor instalou-se no meu coração, eu deixe de confiar em ti.
Cansada de perdoar, quero seguir em frente. A vida mostrou-me que feriste o meu coração, como nunca mais ninguém há-de ferir, agora estou curada, quem vier a seguir já não me vai encontrar virgem nos sentimentos. Deixei de ser ingénua, percebi que devo estar sempre atenta e não permitir que façam de mim parva e estúpida.... o amor pode ser cego, mas não tanto como tu querias que eu acreditasse
Um dia o despertador tocou e eu acordei para a realidade. Foi isso que aconteceu quando abri os olhos, revi os últimos tempos da minha vida, contemplei com atenção cada cena passada nos últimos anos e de repente consegui ver tudo o que se passara à minha volta, enquanto eu sobrevivia encanta com o amor.
Sim durante os últimos anos eu montará um cenário para um filme de amor, tornara-me numa realizadora cinematográfica, idealizará as mais lindas cenas, todas elas muito românticas, e resolvera vive-las.
Mas agora com a mente fragilizadas e alma dorida pelas feridas que lhe causa-te, consegui ver que só eu sonhara, sou eu idealizará cenários românticos, viajara ao sabor do amor durante todos este tempo.
Agora acordará, o corpo estava dolorido e cansado, a boca ainda tinha o sabor amargo da desilusão, nos olhos ainda pairavam as imagens de um horizonte encantador, mas o novo dia despertava com a dolorosa tristeza de que já não estavas aqui, agora era só eu e a solidão.
Contudo à noite será pior, com a noite voltam os sonhos, os sonhos onde tu ainda caminhas, eu terei uma luta terrível para vencer, e apagar-te dos meus sonhos. Era essa a batalha que eu queria travar hoje, eliminar-te da minha vida, impedir que as tuas lembranças voltassem todos os dias, a todas as horas.
Por isso me ergui rapidamente da cama, não queria continuar a sonho, queria concentrar-me no mundo novo que tinha para descobrir.
Lutar, sempre a lutar, a mesma luta de sempre, mas não podia desanimar e pensar que não conseguia, tu não podias ser mais forte do que eu. Ficaria exausta mas não iria desistir nunca. Não desejava voltar a sofrer e por isso tinha que lutar para te tirar da minha vida. Era agora ou nunca.... a decisão estava tomada.....
Naqueles momentos em que tudo parecia
desabar, era sempre a tua recordação que me segurava, que me impedia de chorar,
que evitava que eu desiste-se, que me obrigava a ficar e a lutar.
Era na tua lembrança que encontrava o
caminho certo, na incerteza de minha vida. Eras tu o mais importante para me
ajudar a decidir.
Já não estavas na minha vida mas era a luz
das minhas decisões.
Era feliz assim, não precisa de provar
nada a ninguém, simplesmente era feliz porque tu tinhas existido um dia na
minha vida e continuava feliz por saber isso. Nos meus pensamentos tudo
existias eternamente no meu coração.
Sou como uma fábrica de sonhos, sonhos
todos os dias, acho que sonhar é infinito. Começo o dia a sonhar, termino o dia
sonhando. Quando um sonho termina já existe outro na fila à espera. Não consigo
deixar de sonhar.
É por isso que não consigo te tirar da
minha vida. É por isso que sempre estás presente em tudo o que faço.
És sonho do qual eu não quero acordar. Tu
fazes-me falta e não te quero apagar da minha vida.
Eu sou aquilo que sou, acredito no que
acredito, aprendo com o que a vida me ensina. Se continuo sonhando contigo é
porque vale a pena.
Uma coisa eu aprendi com a vida é que ela
existe para ser vivida, apesar de todos os senãos a vida é para ser vida.
Para amar, sonhar, comer, sentir, desejar
e tantas outras coisas, até mesmo para morrer. Portanto eu vou continuar a
viver e a sonhar contigo .... mesmo sabendo que o nosso amor nunca passou de
uma mentira…mesmo sabendo que continuo a enganar todos os dias o meu coração,
quando digo a mim mesma que já te esqueci, será a minha eterna mentira, aquela
que sempre me acompanhará, dizer com a boca que te esqueci ali naquele dia
quando o meu coração chora por ti todas as noites….
Tudo porque te comecei a amar ainda mais
no dia em que te confessei que já não te queria na minha vida, enganando o meu
coração e mentindo para te deixar livre…é assim por vezes mentimos e carregamos
nos ombros o peso dessa mentira para o resto da vida…..
Ângela Caboz
sexta-feira, 21 de março de 2014
Eu achava que a escolha tinha sido minha,
que ninguém tinha escolhido por mim.
Se assim foi,
não percebo porque escolhi ser infeliz,
se ser infeliz dá mais trabalho do que ser feliz.
Porque sinto vontade de chorar,
vontade de gritar,
preciso de desabafar com alguém,
ter um ombro amigo para contar as minhas magoas,
enquanto se tivesse optado por ser feliz
bastava-me apenas ser feliz,
sorrir para o mundo gritando a minha felicidade.
que ninguém tinha escolhido por mim.
Se assim foi,
não percebo porque escolhi ser infeliz,
se ser infeliz dá mais trabalho do que ser feliz.
Porque sinto vontade de chorar,
vontade de gritar,
preciso de desabafar com alguém,
ter um ombro amigo para contar as minhas magoas,
enquanto se tivesse optado por ser feliz
bastava-me apenas ser feliz,
sorrir para o mundo gritando a minha felicidade.
Mas, a felicidade também é algo muito relativo, um conceito muito diferente de pessoa para pessoa. Aquilo que me faz feliz a mim, poderá ser muito diferente para quem está ao meu lado.Somos todos tão diferentes um dos outros. É bem verdade que a minha felicidade se poderá juntar à tua, mas será sempre a minha felicidade, que também será sempre diferente da tua.
Curioso mesmo foi descobrir que quando disse que estava infeliz foram poucos os que ficaram ao meu lado. A maioria viro-me as costas. Os que eu julgava felizes foram os primeiros a abandonar-me, foram os que primeiro me julgaram. Saíram porta fora, enumerando os meus defeitos, dizendo o que eu deveria ter feito e não fiz, apontado o dedo a todos os meus actos. Sem questionar as minhas razões, apenas censurando os meus erros.
Afinal sempre é verdade, que é não horas difíceis que conhecemos verdadeiramente as pessoas, é nesse momento que sabemos quem são os amigos fiéis, aqueles com quem podemos contar sempre, aqueles que não nos deixam ficar sozinhos. Sendo que também é nessa hora que caem por terras muitas capas e muitas máscaras, pertencentes àqueles que por vezes julgamos amigos, mas que na realidade são piores do que os inimigos.
Esta fase da minha vida servirá para fazer escolhas, para fazer limpezas, para eliminar tudo aquilo de que não preciso. Marcará em definitivo um momento, o grande momento que irei guardar eternamente, que será revivido muitas vezes, todas as que precisar para crescer e aprender com todos os erros cometidos.
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