quarta-feira, 5 de março de 2014







Eu julgava que tinha liberdade, que manda na minha vida e nas minhas decisões, era assim que eu pensava até ao dia que te perdi, até ao dia que me convencei de que nunca te tinha tido. Porque só te ganhei no dia em que percebi que te perdera. Nunca tinhas sido meu, mas agora que te perdera para sempre passavas a ser meu, era a minha lembrança, o amor que um dia julguei ter, uma recordação que seria minha e só minha para o resto da vida.

Eu tinha sonhos contigo, sonhos que tu nunca tiveste tempo de conhecer. Sonhos que tu nunca quiseste realizar. Eram sonhos intensos sobre o amor que eu sonhava viver, sonhos que tu eras o príncipe encantado e eu a princesa apaixonada, sonhos que só existiam em mim. Sonhos que não acabaram no dia em que tu partiste e eu não te perdi, porque eles não foram contigo eles ficaram comigo.


Agora que te perdi sei que sempre sonhei sozinha, do mesmo modo que sempre amei sozinha. Os meus sonhos continuavam aqui na palma da mão, esperando o teu regresso numa linda manhã de Primavera, um sonho que ainda existia no meu coração, um sonho que nunca irá desaparecer. Vou continuar com o sonho de menina, agora que já sou uma mulher, mas ainda acredito na beleza de uma ave a cantar, ainda me emociono com o brilho do arco-íris... Sou mulher mas não paro de sonhar, ainda acordo com a brisa fresca no rosto, acreditando que a felicidade existe e pode ser plena.

A verdade é que o sonhos me fizeram uma pessoa abençoada, com eles fui e sou feliz, são eles que preenchem os vazios da minha vida. São eles que nos momentos tristes me trazem a alegria de que preciso para me sentir viva e amada.


Foram os sonhos que me ensinaram a gostar dos livros e depois apaixonei pela escrita. Com a escrita podia formalizar os sonhos, criar as personagem ideais, dar-lhe vida, fazer-lhe ter os meus pensamentos. Assim eu podia viver tudo o que sonhava. Não havia limites, tudo era possível.

A escrita fazia de mim uma mulher feliz, apaixonada pela vida. A menina tinha ficado para trás envolta num sonho, no sonho da tua existência.

A menina sonhou e a mulher realizou, ela queria ser a alma gémea de alguém. Precisava de ser doce, intensa na paixão com a escrita carregara a sua alma, precisava de ser amada e de amar. Ela que durante anos a fio sonhara com o teu amor, acreditando que sempre te tivera e agora descobrira que não se pode ter quem não nos pertence, acordará do primeiro sono. Não te perdera mas transformara-se num caçadora de sonhos. Ganhará o sonho de ser amada, e uma vez mais teve a certeza de que podia ser livre, de que a liberdade existia. E por isso era livre para amar. Tinha um mundo real que me rodeava, o mundo que eu queria conquistar, o mundo que começava a ser meu.

Já quase não precisava de ti para sorrir, já sabia ser feliz,mesmo sem te ter por perto.

Descobri que existiam coisas simples que me faziam feliz, descobri que existia um mundo para além de ti e dos sonhos que sonhei e idealizei contigo.

Agora sim tá te tinha perdi ou melhor tu já te perderas, deixaras de visitar os meus sonhos e assim eu conquistei-te. Deixei de te querer ter sempre aqui, junto a mim e deste modo ganhei a liberdade.

Mas não dá para mudar o passado, não posso, não devo apagar o passado. Só posso e vou mudar a maneira como o vejo. Tudo o resto vai ficar igual, viver é assim mesmo. Nem sempre fácil, mas aprendemos com a dificuldade a necessidade de errar para melhorar.


Até agora você não voltou, mas também não estava à espera do seu regresso. Te perdi e não te quero recuperar, quero antes ganhar a possibilidade de progredir e esperar pelo milagre do destino.


Continuo a sonhar todos os dias, mas já o posso fazer de consciência tranquila, já não tenho medo de acordar e descobrir que não estás aqui. Já não mais o vazio do medo agora chegou a saudade, que finalmente traz a a realidade e a esperança de que a tua presença existe, mas somente nas minhas recordações.












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